sábado, 6 de junho de 2026

When 45 summers pass

Porra! Lá vou eu escrever de novo aqui. Sendo sincero, não sei porque parei. As outras opções nesses "tempos modernos" são ficar com a cara no celular em redes sociais, varrendo feeds, recebendo dopamina barata, e... só isso mesmo, mude o são anterior para é. Tinha uma ideia antes de que era preciso produzir, não só consumir. Se vê tv, se escuta música, se lê livros, não se entrega nada de volta. Todo o universo interno fica só no interno, só para si mesmo, a escrita é uma forma de colocar um pouco disso pra fora. Afinal, como diria Chikero (que completa um ano de sua morte agora), cada cabeça é um mundo.

Ontem rejeitei a companhia de duas pessoas que gosto muito para ficar sozinho em casa, assistindo a videoclipes deitado no chão da sala. Fazendo isso enquanto fumava um natura parece que me reencontrei um pouco. Consegui parar um pouco e aproveitar o momento presente, mas ainda assim sem me livrar dos novos vícios, então ainda assim com o celular na cara. Foi bom, deu pra lembrar algumas coisas esquecidas, algumas memórias ressurgiram. Voltei no tempo, para 1994, no dia do meu aniversário de 13 anos.
No dia 13 de julho de 1994, o Brasil derrotou a Suécia pelo placar de 1 x 0 em partida válida pela semifinal da Copa do Mundo, realizada no estádio Rose Bowl, em Pasadena, nos Estados Unidos. [fonte: IA GEMINI]

Tenho uma lembrança desse dia. Eu estava triste, não sei dizer o porquê. Copa do mundo, Brasil começava a sua jornada rumo a conquista do tetra campeonato. Mas eu estava triste. Na minha lembrança era começo de noite, acredito que minha querida avó já havia falecido nesse mesmo ano. Eu tinha ido assistir ao jogo na rua onde ela morava e eu tinha amigos. Eu estava triste e chorava sozinho enquanto voltava pra casa. Me lembrei na época de uma frase, que acredito, que a Madona  disse "a alma se conecta ao corpo aos 13 anos". Treze. O numero 13 significa muito pra mim, fora o fato de ser o dia do meu aniversário posso citar a sexta feira treze, que tem a ver com o filme do Jason, de terror, que é o gênero que mais gosto, e o número do partido de esquerda ao qual simpatizo.

Trinta e dois anos depois, 2026, prestes a começar outra copa do mundo, dia 13, meu aniversário de 45 anos, jogo do Brasil no mesmo dia. Aquela mesma tristeza me pegou, dessa vez alguns dias antes, me pegou deitado no chão da sala, assistindo a videoclipes.

É uma merda, mas acho que sou meio sensível, entendi isso. Antes achava que a música era quem me deixava triste, ela quem fazia isso comigo, até perceber que não era a música, era eu. Na minha jornada de autoconhecimento percebi que tenho o lado emocional "não muito firme", a música age como um forte estimulo nessa área, influenciando minhas emoções. Lembro das brigas de rua (brigas físicas, lutas) que não foram poucas em minha infância e adolescência, onde mesmo eu ganhando a disputa, caia no choro. Mais uma dica de que meu emocional é muito emocional.

A música mexe muito comigo. Ela chega aos ouvidos mas atinge a muito mais. A letra fala para o racional, a melodia e ritmo ao emocional. Apesar da consciência disto ter chegado a pouco tempo, empiricamente eu já havia percebido. Em um momento da vida pulei de Legião Urbana para Ramones, Ratos de Porão, ACDC, Raimundos. Essas bandas eram muito mais confortáveis de ouvir. Me traziam uma sensação de alegria, uma energia que me deixavam mais feliz, mais otimista e com  mais atitude. Músicas mais rápidas e pesadas, com muito mais energia e alegria, que músicas mais lentas, que "entendo" como músicas tristes. Quando isso aconteceu mudei bastante, fui de um pré-depressivo para um pré-punk cínico e isso foi ótimo.

A vida é rápida. Não há mais tempo para esperar! Viva! Não perca o tiro de largada.

Ontem, deitado no chão assistindo videos no youtube essa música me fez chorar. Ela me levou para uma tarde de sol deitado no chão na casa minha avó.