segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

rebelde

linda foto de GG Allin para ilustrar o post

Eu estava encostado naquelas piscinas cheias de bolinhas coloridas que as crianças brincam, de calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta preta tipo motoqueiro, alcochoada. Um pé no chão e outro no brinquedo, sim, descalço, e com um cigarro na boca. Senti duas batidinhas na minha perna, olho pro lado e tá o segurança, as batidinhas eram do cassetete.
- Pode me acompanhar, por favor. - pergunta o segurança, um negro magro estilo Robinho.
- Claro, mas preciso pegar minha sandália. - respondo.
- Vamos lá. - Robinho retruca.
Minhas havaianas estavam perto da saída da casa de jogos, ao lado de uma daquelas máquinas de dança, as calço, jogo o cigarro no chão e o piso, ele apaga e saio do galpão. O lugar em minha lembrança era bem iluminado, com video-games e fliperamas encostados nas paredes e brinquedos para crianças no meio, incluindo a piscina em que eu estava encostado.

O segurança me segura levemente pelo braço e me guia. Não me lembro o que aconteceu, mas recordo de ter consciencia da minha pessoa, ainda com o guardinha segurando no meu braço, parado em frente a um elevador só que desta vez eu estou sujo e machucado, como se tivesse levado uma pisa, como? Não sei.

Escuto um barulho do meu lado esquerdo e vejo quatro pessoas, olho novamente para o guarda e ele olha pra mim com a ponta dos olhos com um sorriso cinico levantando somente um canto da boca.
- Ele tá ai. - Diz o guarda enquanto me empurra em direção aos quatro caras.
Olho um por um, nesse instante e nesta exata seqüência: o cara da esquerda , com uns vinte anos; o da direita, com uns dezoito; o do meio , que ue chuto tivesse uns 16 anos, cara de nerd, cabelo de franjinha de lado, óculos de grau, magro com camisa grande e folgada, me lembro mais desse por causa de sua cara de "quero ver agora, seu trouxa!", e bem atrás deste estava o último cara, se é que aquilo era um ser humano.

O cara era um gigante, musculoso, alto, com um cabelo horrivel, e na mesma hora me lembrei de Andore, se você não sabe quem é Andore ele é um personagem de video-game, gigantão e tipo protetor das putas do jogo Final Fight. Bem, o cara tava olhando pra mim rindo com todos os dentes a mostra e batendo o punho fechado contra a palma da outra mão, exatamente como na figura abaixo, excetuando que ele esta rindo e com o olho focado em mim.

uma fotinha ilustrativa do Andore, e outra aqui.

Okay, okay, uma foto de video game não ajuda muito, então veja essa outra foto que me lembrou perfeitamente o cara.

o cara era forte como o Mickey Rourke (o cara da foto acima), só que tinha o cabelo pior

O carinha mais fraco que tava no meio dos dois, me lembrei dele nesse momento. Eu tinha aprontado alguma com ele, mas não me lembrava do que era,talvez ter tomado a ficha dele no fliperama, ou ter dado um tapa na nuca, ou algo assim. O cara fortão que estava imediatamente atrás dele, descobri mais tarde, era o pai e os dois outros os irmãos.

Nesse momento o guarda já tinha ido embora e me deixado para apanhar, suponho. Olhei novamente para a cara do fortão e seu rosto não me pareceu estranho.
- Perai! Você é professor do Centro de Informática, se fudeu!! - falei na mesma hora.
A sensação nesse momento foi a de como se eu tivesse puxado a carta do baralho que me fizesse vencer a partida de pôquer em que eu estivesse apostando minhas tripas.

O monstrão lá deve ter percebido a merda que seria me bater ou fazer algo comigo, uma vez que eu sabia onde ele trabalhava e poderia arquitetar uma vingança ou mesmo denuncia-lo na universidade. Deu pra ver direitinho na cara dele o "não posso fazer nada" que parece que não foi muito bem absorvido pelos filhos. Ele se virou e foi embora me deixando com os três babacas.

Bem, sinto uma necessidade de explicar algumas esclarecimentos a respeito deste texto, em especial sobre como eu sabia que o fulano era professor de informática federal. A história é a seguinte: terminei o curso de engenharia da computação na Universidade Federal do meu estado, e assisti a muitas aulas no Centro de Informática, e essa foi a minha sorte, por isso reconheci o cara.

O marmanjo foi embora, só que mesmo assim os três irmãos ainda ficaram. Os dois irmãos mais velhos me pegaram, cada um por um braço, e me levaram para a frente de um outro elevador, esse parecia que ia dar no estacionamento.
- O fato do pai de vocês terem ido embora, não significa que que eu ainda não possa denuncia-lo ou atanaza-lo na federal, é isso que vocês querem? - perguntei calmamente com uma cara cínica.
Se entreolharam e decidiram, finalmente, ir embora. Mas claro, eu não poderia deixar as coisas terminarem assim, aprendi com o tio Lobo, que alguém precisa se ferrar na história, então antes de irem embora eu puxei o nerd causador de toda confusão pela gola e disse "você fica", soltei um sorriso tranquilo e gentil para ele.

sorriso maroto - sim, eu sei que "voce" tem acento

Acho que ele conseguiu entender o que eu tinha para falar e, igualmente, respondeu com uma feição de pânico no rosto que dizia para mim: "ME FUDI!".

Hahahahaha!

Bem, dai eu me acordei do sono e me lembrei desse sonho horrível, e ao mesmo tempo maravilhoso, e depois de rir muito decidi compartilhar com vocês. Eu nem sou mal nem nada, mas acho que se eu fosse, eu seria ruim mesmo, valendo! =p

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

e num chat 2

Gtalk com Dani
me: tenho uma novidade pra te contar, hehehehe
mas como eu sei que mulheres são curiosas só te conto quando tu tiver aqui
Daniele: tas namorando?
me: FUUUUUUUUUUUUUUUU!!!
Agora jogo no time dos compromissados.

em breve: relato do show mais doido do mundo ocorrido em 2002.

sábado, 28 de novembro de 2009

plágio do filme do Kurosawa

Eu já tinha curtido o Per un pugno di dollari (por um punhado de dolares) antes de assistir ao lendário filme Yojimbo, e ao assitir este ultimo percebi que o mesmo se parecia muito com o primeiro filme da trilogia do homem sem nome. Fiquei na dúvida se era plágio ou homenagem, mas o artigo destinado ao filme Per un pugno di dollars na Wikipedia me tirou a dúvida novamente. Na seção Influências.
O filme foi inspirado em Yojimbo, comédia satírica de Akira Kurosawa (escrito por Kurosawa e Ryuzo Kikushima). Acredita-se que este, por sua vez, seria baseado no romance Red Harvest, de Dashiell Hammett, apesar de não ter sido creditado.
Kurosawa insistiu em receber compensações, escrevendo a Leone: "é um ótimo filme, mas é o meu filme". Após certo tempo, os produtores de Kurosawa conseguiram obter uma compensação de cem mil dólares, mais 15% da fatura do filme na Ásia. Mais tarde, Kurosawa reconhece o filme como um remake digno de Yojimbo.
Abaixo os herois das duas versões.

Toshirō Mifune é o samurai em Yojimbo (1961)

e Clint Eastwood é o pistoleiro de Per un pugno di dollari (1964)

Dois ótimos filmes, e assistindo da para ver claramente que o filme western é uma cópia mesmo do filme de Kurosawa, mais uma coisa para comentar com os amigos na fila do cinema.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

a arte de (não) beber álcool

Antes de tudo, gostaria de dizer que este não é um texto Straight Edge. Acho até bonita a ideia e a atitude, mas, também, acho muito extremo o não beber NADA e o não usar NADA. Li, em algum lugar, uma vez, algo sobre o "caminho do meio" do budismo, algo como não ser extremo em nada, ser equilibrado, e, trazendo para o ponto de vista da bebida, seria algo como não ser um alcoólatra e nem ser um Straight Edge. Então.

Alguém se lembra de como saíamos e nos divertíamos várias vezes sem tocar os lábios em uma bebida alcoólica? Não, né? Hoje, tudo é motivo para beber: sexta-feira é igual a beber; assistir ao jogo de futebol é igual a beber; ir ao show é motivo de beber... Beber é igual a beber! É, eu não estou bêbado. Deixa eu me explicar: a coisa está tão trash que até o verbo beber já esta associado ao ato de ingerir bebidas alcoólicas, duvida? Me diz, então, o que você pensa se alguém chega e pergunta: "e ai vamos beber?", garanto que você não vai achar que a pessoa está te chamando para beber um suco.

Nascer, crescer, beber, se reproduzir e morrer. É assim que se divide o novo ciclo da vida, e, às vezes, com o "beber" citado anteriormente deslocado para a esquerda e continuamente até a morte. Sabe-se que, hoje, não é preciso ter crescido para beber. Lembra a piada do espanta?
Um homem, espantado ao ver um menino de 13 anos fumando, pergunta:
- Menino, faz quanto tempo que você fuma?
- Desde a minha primeira relação sexual - responde o menino.
O homem, abismado com a resposta, pergunta novamente.
- E quando foi isso?
- Não me lembro, eu estava muito doido - responde o guri.
Certo, qual é a moral? Você já é meio que programado para beber, e isso bem antes de ser bombardeado por propagandas e ser influenciado pelos seus amigos. Influência, ela começa bem mais cedo em alguns casos. Aposto que alguém já deve ter visto algum pai dando cerveja ao filho e se enchendo de orgulho, o impacto físico no guri será mínimo, mas o psicológico será desastroso, pois a criança vai associar aquilo como algo que deve ser feito, ou seja, nasce mais um cachaceiro.

Mas, para nós, com já alguma opção de escolha, a bebida depois de fazer nossa barriga crescer e alterar o estado de consciência ainda traz a ressaca física, e o pior é que já sabemos disso e, ainda assim, bebemos. Preste atenção: VOCÊ JÁ SABE QUE VAI PASSAR MAL NO OUTRO DIA E, MESMO ASSIM, BEBE. Provo: quando se tem um feriado, por exemplo, bebe-se na véspera, para poder passar o outro dia inteirinho passando mal, né não? "Amanhã é feriado, bora beber". E é para beber de verdade, ir caindo para casa, pois "beber e não ficar bêbado é jogar dinheiro fora". Ficar sem beber num dia de descanso está fora de cogitação; ninguém vai parar ou diminuir a quantidade de bebida ingerida. Quem vai deixar de aproveitar o fim de semana ou o feriadão?

ressaca, um problema antigo

Ressaca física já é ruim, mas a ressaca moral é pior. Enquanto a ressaca física passa em um dia de descanso associada a um soro com glicose, a ressaca moral fica, e pode ser usada contra você durante toda sua vida. Exemplos existem aos montes: a mulher feia que você pegou na balada, a discussão besta que você teve com seu amigo, a dança ridícula que você fez na festa e por ai vai.

Mas, enfim, este que escreve não está defendendo a abstinência alcoólica, e, sim, o consumo moderado. Lembra das propagandas de cerveja? Quando diz "BEBA COM MODERAÇÃO", então... Isso evita um monte de rê-bordosa. Beber moderadamente tem suas vantagens, três para citar: deixa o tímido mais confiante, deixa o sexo mais prolongado e deixa a pessoa mais extrovertida, mas, com o exagero, o tímido vira um tarado, o garanhão vira um brocha e o extrovertido vira um chato. Se for para beber, ache o ponto que não te faça mal e que te deixe à vontade, não seja um chato de galocha e não foda com seu corpo, simples eficiente e funcional.

E nunca se esqueça: se for dirigir não beba e se for beber me chame.

NOTAS: -------
Eu comecei o texto bem empolgado, depois eu esfriei, e terminei hoje, estive muito ocupado nos ultimos dias com o mestrado, festas e shows, mas escreverei mais. =p

sábado, 24 de outubro de 2009

relato de um escravo

Até que enfim parei um pouco, peso da porra isso, parece que a cada dia um quilo pesa mais, deve ser da idade, coisa de velho como dor nas costas, dor nas pernas, visão falha e cicatrizes. É, cicatrizes. Tenho algumas cicatrizes que tem quase minha idade, é verdade mesmo, talvez não dê mais para ver, mas é por culpa das novas cicatrizes que cobriram as mais antigas.

Levar chicotada nas costas dói, já estou numa fase que só de ouvir a ponta do chicote cortando o ar e estalando já sinto a dor, antes mesmo da minha pele se rasgar e ficar inchada, não preciso dizer que é uma sensação bastante desagradável. E eu não sei o que faço de errado, eu carrego peso excessivo todo dia e o dia todo, e o peste ainda me bate, queria ver se fosse ele aqui no meu lugar, na corrida pra cá, na chicotada pra lá, aguentando grito, puxão o escambau.

Estou velho e cansado e ninguém liga pra isso, estou sozinho, não entendo direito o que me falam, mas mesmo assim me esforço, dou o melhor de mim. Se bem que é difícil ter forças quando se trabalha sem comer nem beber água o suficiente para o trabalho, e sem contar na atenção que tenho que prestar para não morrer. -por falar em água, deixa eu aproveitar essa pequena pausa para matar minha sede nessa vala de água barrenta... hmmm! só está um pouco quente e suja, mas beleza, vamos nessa-.

Cara, muitos colegas meus morreram quando uma coisa veloz -sei lá que porra era aquilo- os atingiram em cheio. O pobre do Sandoval, por exemplo, sofreu por horas com as pernas quebradas e vísceras semi expostas até que alguém chegou para socorrer. Bem, "socorrer" é força de expressão já que o cara não foi para tratar dos ferimentos e sim para mata-lo com uma paulada na cabeça. No fim das contas acho que foi melhor assim, pelo menos ele esta descansando agora. Penso que a pessoa que matou o Sandoval sentiu algo perto de empatia, talvez compaixão. É, acho que é isso.

Destino pior teve um gringo lá pelas bandas da... acho que foi Austrália, fiquei sabendo que em pleno dia de nossa comemoração ele levou duas flechadas no tórax, e não morreu na hora. Pior, o "Hobin-Wood" gravando tudo pelo celular, e achando pouco, foi lá e tentou derruba-lo com alguns chutes, não conseguiu. O pobre com DUAS FLECHAS NO TÓRAX aguentou enquanto pode, não foi muito, mas tenho orgulho dele: foi duro na queda. Fico pensando onde esse mundo vai parar.

-EITA POOORRA!! Desculpe, acabei de levar uma chicotada- Por que esse filho da puta não para de me chicotear!? Caralho, sabe o que é o pior nisso tudo? É ver esse monte de gente olhando com cara feia para o filho da puta que me chicoteia e não faz nada, cambada de desgraçados, se eles olham com cara feia é porque sabem que tá errado, talvez muito mais do que esse infeliz que me explora, é isso mesmo, tem tanta culpa quanto.

-AAAAAAAAAAAI!!! POOORRA!!!! Essa doeu de verdade- Bicho tô indo nessa, é melhor eu me concentrar aqui no trampo, quem sabe tenho direito a um resto de feira hoje a noite? E já esta escurecendo, se bem que acho que o rango vai sair atrasado, o chefe tá mal-humorado e vi que só levamos um pouco mais da metade dos tijolos que tem para carregar. Já vi que vai sobrar para mim.

A vida não está fácil para ninguém, principalmente para mim. Gostaria muito de ter um pouco de liberdade, de poder correr um pouco, de não viver num cubículo mal iluminado, imundo e úmido, ter um pouco de comida fresca, ter outros parecidos comigo para fazer companhia, enfim, ter alguém que goste de mim. Seria lindo... que vontade de dormir! E ainda tenho que levar essa porra toda aqui. Mas bem, sejamos otimistas, quem sabe eu consigo um banho amanhã, não ter essas moscas em cima das feridas e me livrar de alguns carrapatos seria ótimo. Com essa vontade de dormir me lembrei do lindo sonho que tive ontem:

no dia que nos derem o devido valor

Tenho que ir agora, a gente se vê por ai numa rua dessas, beleza?
Forte abraço do equino que trabalha na mercearia da esquina da sua rua.

-
"Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete crueldade contra um animal, então somos companheiros."

Visitem: http://chicotenuncamais.blogspot.com/

NOTA DO AUTOR:

Este texto é o rascunho do artigo que sairá na zine CABRA da PESTE, portanto desconsiderem os erros, ok? Ou melhor, se encontrarem erros de ortografia, pontuação me avisem pelo comentário. Não tenho revisor oficial. =)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

velho: homenagem do Rancid

Eu já curtia Rancid antes de escutar a lendária Minor Threat, e ao aprofundar o conhecimento desta última percebi que a capa do primeiro album da banda era muito parecida com a capa de um dos albuns do Rancid. Fiquei na dúvida se era plágio ou homenagem, mas o artigo destinado ao album ...and out come the wolves, do Rancid, na Wikipedia me tirou a dúvida novamente. Na seção Artwork.
The cover art is a tribute to Minor Threat, a landmark hardcore punk band, that originally used the image of Alec MacKaye (brother of the band's lead singer Ian MacKaye) with his head on his knees on steps of the "Dischord House" on the self-titled EP.

Tradução livre.
A capa é um tributo a Minor Threat, banda lendária de punk hardcore, que originalmente usou a imagem de Alec MacKaye (irmão vocalista da banda Ian MacKaye) com sua cabeça sobre os joelhos na escada da "Dischord House" no EP de mesmo nome.
Eis as capas

Minor Threat - Minor Threat (1981)

Rancid - ...and out come the wolves (1995)

O "velho" do título é porque o album é de 1995 e eu só vim saber disso agora, mas bem, pelo menos tenho mais uma para comentar numa roda de amigos tomando uma e escutando um som. =)

domingo, 11 de outubro de 2009

você não escolhe o que escuta

Um presidiário não escolhe o que vai comer, um operário não escolhe em que horário vai trabalhar e você não escolhe a música que você escuta.

Quando foi a última vez que você descobriu uma banda nova sem ser por meio de rádio? Sem ser pelos seus amigos igualmente bitolados e que escutam o que o cara da rádio põe para vocês escutarem? Quando foi a última vez que você descobriu um som legal que não toca na rádio?

Bem, quando eu digo que você não escolhe vem um fulano e diz, é claro que eu escolho eu ligo pra lá todos os dias e peço uma música. Claro, você pede uma música decente e 10 pessoas pedem uma música chinfrim. Os programas "disques" te dão opções mediocres de escolha, eu nunca, por exemplo, esperaria ser atendido numa rádio convencional ao pedir para tocar Ratos de Porão, e por quê?

Pare, pare, pare, eu já consegui ouvir seus pensamentos gritando: "e que rádio tocaria Ratos de Porão?" ou "mas que merda de banda é essa?" ou ainda "e essa merda presta!", acertei não foi? Bem, ai eu pergunto: você já parou e escutou a banda? Não né? E é justamente esse o ponto que eu queria chegar, o preconceito (e quando eu falo de proconceito não estou falando da RPD, mas de todas as bandas independentes de uma forma geral).
Do dicionário priberam:
preconceito (pre- + conceito) s. m.
1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.
2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos. = intolerância
3. Estado de abusão, de cegueira moral.
4. Superstição.

"Não se deve julgar um livro pela capa". Todos já escutaram essa frase, mas parece que poucos entenderam o significado dela. Quando se diz que que não se deve julgar o livro pela capa o que se quer passar é que não se deve tirar impressões precipitadas a partir de um primeiro contato, se você é adepto do "a primeira impressão é a que fica", me desculpe dizer amigo(a), mas você está fudido!

Stephen Hawking mandando um oi para você

O engraçado é que as pessoas não tem esse preconceito se a banda toca na rádio. Você acha ridiculo uma banda com o nome Zumbis do Espaço, mas acha superbacana as bandas com nomes Marreta You Planeta ou Calcinha Preta, por exemplo, ou ainda acha infame existir uma banda com o nome de Leptospirose, mas acha lindo o nome banda Brucelose. Eis o ponto.

Muitas das bandas do circuito underground nacional falam muito mais que a grande maioria das músicas populares somadas diz, na sua maioria são mais sérias e politicas, não se preocupam com estética ou beleza -dai o motivo dos nomes-, para esse tipo de música o mais importante é a idéia. Claro na música o som também deve ser agradavel, mas de acordo com a letra.
...
Não me importa muito o som mas o que você vai falar
Uma mensagem positiva encaixa em Dó - Ré - Mí ou Fá
É melhor estar numa banda do que numa gangue ou se drogar
Não me importa muito o som mas o que você vai falar
Lá - Lá - Lá - Ré - Sol - Lá
trecho da Musica Lá Ré Sol do Mukeka di Rato

A maioria das melhores bandas não tocam em rádios, e como elas são encontradas? Em comentários, em referências de uma banda em sites na internet e mesmo explicitas nas próprias letras das músicas, não acredita? Dois exemplos rápidos:

WC - O grupo nasceu para ser apenas um projeto paralelo, acredito, e hoje tem proporções tão grandes (e até maiores) das bandas originais de seus integrantes, tais como o Mukeka Di Rato, o Teen Lovers e o Merda. Como rola isso? Como vocês encaram este fato?
Tonny Powzer - Com certeza, quando a banda surgiu a intenção era fazer um som escrachado e levado por diversão...
entrevista da banda os pedrero no site zona punk

Não pus a resposta inteira porque não interessava, mas observe a pergunta do WC, ele cita três bandas. Eu ja conhecia duas das três citadas, não a Teen Lovers, então procurei, escutei e conheci mais uma banda legal.

Um exemplo com bandas mais conhecidas, só para você ter uma idéia.
...
Paz, pa-pa-Paz, Planet Hemp
Paz, pa-pa-Paz, the Funk Fuckers
Paz, pa-pa-Paz, O Rappa
Paz, pa-pa-Paz, Black Alien
trecho final de Dezdasseis (Planet Hemp)

Eis ai quatro referências a bandas dentro de uma música, conhece alguma? Essa música é do album Usuário do Planet Hemp de 1995, O Rappa ja tinha lançado um album, mas nem de longe era tão conhecida como hoje. Escutei as bandas e curti o Funk Fuckers.

Pegou o espirito da coisa? Aqui o mais importante, nesse modo de encontrar bandas/músicas, é que VOCÊ VAI DECIDIR SE GOSTA OU NÃO da banda, não vai sofrer uma lavagem cerebral por meio das midias que te convencem que a música é boa.

Bjunda.

OBSERVAÇÕES FINAIS

Esse texto começou assim:
É chato ser tachado de inculto ou de ter mal gosto quando se responde a pergunta "que bandas você curte?" depois de um "que tipo de som vc escuta?", bem essa é a primeira coisa que geralmente ouço depois de um "aff" e antes de um "pesssoal vem ver as bandas que fulano gosta".

Penso, já faz tempo, que as pessoas estão engessadas em termo de gostos, algo como: o que a maioria escuta é que é o bom, o que a maioria faz é que é o certo, esse é o sentimento geral que tenho a respeito das pessoas quando se trata de música. Eu discordo dele.

Adelmatrash escuta: merda, mukeka di rato, discarga, ratos de porão, garotos podres, leptospirose e zumbis do espaço. Claro, tem mais, mas eu ia perder muito tempo escrevendo tudo. =)