segunda-feira, 29 de março de 2010

show do NO-FX - parte 01

Resenha da viagem a fortaleza para ver a NO-FX

MUITO DO CARALHO! É assim que defino o show do NO-FX em Fortaleza, aliás só o show não, toda a viagem, as novas amizades, as novas histórias, os apelidos, as piadas e os novos bordões inventados.

NOTA: Sei que este não é um meio muito convencional de se começar um texto, mas as vezes é difícil expressar uma emoção sem o uso do palavrão, e por isso peço que façam um exercicio mental e toda vez que lêrem um palavrão aqui imaginem imediatamente após ele a seguinte frase entre virgulas "desculpem o palavrão". Lets Rock!

Dia 6 de março de 2010, sábado, horário marcado para pegar a van 5:30h, mas como todo bom brasileiro presumi que haveria atraso na saída, ou que as pessoas chegariam ainda mais atrasadas que eu. Pego o ônibus e sigo tranqüilo a caminho do Recife Antigo, o local combinado é o Marco Zero. Dentro do ônibus ainda sonolento recebo uma mensagem ás 5:45h: "kd tu pow!?", respondo com outra mensagem: "já estou no ônibus e chego em 5 min", dez minutos depois recebo uma ligação do mesmo remetente, mas eu já estava andando em direção ao lugar marcado.

Aqui peço permissão para dar uma dica: em mensagens, telefonemas e principalmente pessoas esperando outras pessoas nunca, NUNCA MESMO acredite na frase "tô chegando", tô chegando equivale a "espera ai que ainda vou tomar banho, escovar os dentes, ver uma roupa, checar a grana e pegar o ônibus" isso tudo exatamente na hora em que você tinha marcado o encontro. Mas voltando a viagem.

Cheguei ao lugar marcado e... surprise! Eu estava certo, ainda faltava uma pessoa chegar, para minha não surpresa se tratava de uma menina, não que eu queira dizer que mulheres sempre se atrasam, mas isso foi um fato no dia. A menina chegou - esqueci o nome dela agora mas enfim - com todo mundo dentro da van começamos a percorrer os 800 quilômetros para ver a NO-FX, 800 quilômetros esses que se transformam em 1600 se as pessoas forem caladas nas suas e emburradas, fato que realmente aconteceu na primeira meia hora da viagem, o que provou ser só sono mesmo porque logo surgiram música, vodka com fanta, e conversas animadas.

Recife/Fortaleza, chão pra k@#$%!!

Eu realmente deveria ter escrito esse texto logo quando cheguei do show, mas não deu e acho que esqueci um monte de coisas, mas vou escrever o que me lembro da ida, já que na volta foi praticamente só dormir.

A van estava quase cheia, mas ainda faltavam dois meliantes que foram pegos em Abreu e Lima e seguimos. Uma dessas pessoas que subiram a posteriori na van foi o Fábio e quando ele se encontrou com a galera André nos apresentou ao primeiro bordão da caravana: "tu e teu irmão é dois ladrão!" isso mesmo, "tu e teu irmão É dois ladrão!", afinal de contas concordância é para os fracos e não tem graça. O motivo eu não sei, mas escutamos essa frase algumas dezenas de vezes dentro e fora da van.

A viagem tinha realmente começado, e em algum lugar entre Recife e Fortaleza, já sob o efeito da vodka com fanta, as pessoas começaram a se soltar e a primeira idéia brilhante: pôr a bunda na janela e zoar as pessoas. Então no melhor estilo kiss my ass duas pessoas foram lá e pow! Bundinha na janela, com direito a tapinhas e tudo o mais, foi bastante engraçado ver as reações adversas das pessoas que variavam de revolta, passando por nojo e até gargalhadas, as gargalhadas, claro, por nossa parte diga-se de passagem.

Hora do lanche, alguém surge com um delicioso - okay não tão delicioso - salgadinho torcida sabor pimenta mexicana, ou algo do tipo, todos comem e quando chega a minha vez faço como quando como pipoca, seguro o saco de forma que ele fique parecido com um copo e viro. Isso passaria totalmente despercebido se não fosse o gordinho - pow, nem sei o nome dele então chamarei carinhosamente de gordinho - que tivesse visto: "pow o cara bebe salgadinho torcida!", pronto foi o suficiente para eu ganhar o apelido de torcida, o cara que bebe salgadinho.

Ao meu lado estava Geyvson e do lado dele um cara com camisa do NO-FX e que tinha trazido alguns cds originais da banda, ele tinha um detalhe peculiar que era o seguinte: toda vez que ele entrava na van ele ficava espirrando e quando saia ele parava. Isso poderia me render uma tese sobre a primeira pessoa com alergia a van no mundo, mas eu me satifiz em somente por um apelido nele: espirro. Seguimos.

primeira parada, antes das bundas nas janelas

Passamos por algum lugar que era muito quente, tão quente que abrir a janela tinha efeito semelhante a pôr um secador de cabelo ligado no máximo na própria cara, e foi nessa hora que o mala do motorista - ainda vou falar sobre ele aqui - resolveu que seria hora de ligar o pseudo-ar-condicionado, que não esfriava quase nada, mas que era melhor que aquele bafo do inferno externo. Então seguimos com as janelas fechadas e só abriamos quando alguém queria fumar.

E tome chão, horas se passam, fome chega e começamos a pensar onde almoçariamos, o Gordinho sugere comermos na Churrascaria do Gaúcho, onde Supostamente se poderia comer muito e pagar pouco no melhor estilo restaurante de caminhoneiro, o lugar seria teóricamente perto de Mossoró a borda da BR, então ficamos na maior expectativa procurando a bendita churrascaria já imaginando a deliciosa capinha de carne sendo cortada na nossa frente. Finalmente chegamos ao lindo lugar onde almoçariamos...

restaurante cinco estrelas

Churrasco? Capinha de carne? Carne assada? Não meu amigo, paramos neste belo lugar mostrado na foto acima o chamado O Cozidão, a Churrascaria do Gaucho não foi encontrada, e não tinha como a gente ter passado por ela, quinze olhos atentos não deixariam um bom almoço passar batido.

Mas voltando ao local do almoço, a comida poderia ser descrita como fat-crap-food e o lugar era quente, cheio de gente feia - com exceção de nós da van, claro -, com centenas moscas e o pior, não tinha carne assada, mas claro, não esperaria menos de um lugar chamado O Cozidão. Lá ao menos tinha uma pia para lavar a mão e escovar os dentes antes e depois de almoçar, respectivamente. E como se a fome fosse pouca algumas pessoas antes de comer decidiram aumentar ainda mais o apetite e utilizaram o poder da lárica, que é obtida através do processo de inalação de fumaça de plantas da natureza no formato de mato seco enrolado em seda, e foi durante esse processo que dialógo que vou descrever a seguir acontece, para manter o anônimato chamarei os envolvidos de A, B e C.
- Ffffff! fffffff! fffffff! cof! cof! - diz A e passa o cigarrinho já minusculo para B.
- Pow, já tá no finzinho, fffffff!! cof! - retruca B e passa o toquinho para C.
- Pra mim tá limpeza! - diz C depois de segurar com o que sobrou do cigarro com as pontas dos dedos dá um puxão com toda a calma, enche as bochechas de fumaça, traga, segura, expira, pega o óculos escuro que estava preso em suas orelhas em cima da cabeça e sai balançando os braços no melhor estilo maconheiro de várzea.
Por que eu falei isso? Porque esse se tornou o segundo bordão da viagem, era mais ou menos assim: alguém oferecia um biscoito ou qualquer coisa a uma pessoa que já estivesse satisfeita ou não quisesse a tal coisa e essa respondia com o sotaque de malandro igual ao de C: "Pra mim tá limpeza!".

CONTINUA...

3/4 vanz inside content

Saquem o que tem na continuação
  • quilometragem em espaço ou em tempo?
  • todos no motel
  • motorista felá
  • banho escroto
  • o show
  • impressões
  • galera de PE lá
  • camisa e inglês
  • bandeira de pernambuco
  • encontro com o cartunista guabiras
  • trêtas
  • um chopp pra distrair
  • falow e até a próxima

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

sms anônimos

Recebi um sms de uma amiga e quando fui ver, percebi que tinha mais de 100 mensagens na caixa, já lidas, e lembrei que andava recebendo uns sms pela web tendo como remetentes "..."., "aaa" e "". Eis as mensagens, e alguns, devidos, comentários:

web:
qual a de hj hein?
hum...?
Recebida: 13:29:37 - 11/09/2009
Okay, okay, "qual a de hj hein?" nem me lembro o que foi bom nesse dia, mas com certeza a pessoa ficou sem saber.

web:...
Oi, vamos ao cinema?????

Kiss
Recebida: 15:12:20 - 08/11/2009
Vamos sim, assistir a ghost, ou mensagens do além.

web:...
Se for pro xow, me chama

=********
Recebida: 23:09:16 - 12/11/2009
"Xow", só se for da xuxa, e já deixei de gostar faz tempo.

web:...
LIGUE PRA MIM, VOCE SABE QUEM EU SOU, NAO E POSSIVEL.
Recebida: 20:56:27 - 13/11/2009
É possível sim.

web:aaa
e aew, vai?
Recebida: 16:55:20 - 01/12/2009
Para o "xow" ou para o cinema?

web:...
oi, ta fazendo o que? ta afim de passar aqui pra gnt conversar?
Recebida: 21:23:29 - 03/12/2009
To tentando adivinhar quem é você. Claro que passo para conversar, estou só esperando meus amigos da CIA e do FBI me passarem o teu endereço.

web:.....
se kiser conversar, passa por aki.
Recebida: 21:24:14 - 03/12/2009
Acho que não "kero".

web:
=) feliz...
Recebida: 19:17:19 - 15/02/2010

Triste.

PS: bem amiguinhos, voltei a jogar no time dos solteiros, é como diz o ditado: vem rápido vai rápido. Vou atulizar mais isso. =p

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

rebelde

linda foto de GG Allin para ilustrar o post

Eu estava encostado naquelas piscinas cheias de bolinhas coloridas que as crianças brincam, de calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta preta tipo motoqueiro, alcochoada. Um pé no chão e outro no brinquedo, sim, descalço, e com um cigarro na boca. Senti duas batidinhas na minha perna, olho pro lado e tá o segurança, as batidinhas eram do cassetete.
- Pode me acompanhar, por favor. - pergunta o segurança, um negro magro estilo Robinho.
- Claro, mas preciso pegar minha sandália. - respondo.
- Vamos lá. - Robinho retruca.
Minhas havaianas estavam perto da saída da casa de jogos, ao lado de uma daquelas máquinas de dança, as calço, jogo o cigarro no chão e o piso, ele apaga e saio do galpão. O lugar em minha lembrança era bem iluminado, com video-games e fliperamas encostados nas paredes e brinquedos para crianças no meio, incluindo a piscina em que eu estava encostado.

O segurança me segura levemente pelo braço e me guia. Não me lembro o que aconteceu, mas recordo de ter consciencia da minha pessoa, ainda com o guardinha segurando no meu braço, parado em frente a um elevador só que desta vez eu estou sujo e machucado, como se tivesse levado uma pisa, como? Não sei.

Escuto um barulho do meu lado esquerdo e vejo quatro pessoas, olho novamente para o guarda e ele olha pra mim com a ponta dos olhos com um sorriso cinico levantando somente um canto da boca.
- Ele tá ai. - Diz o guarda enquanto me empurra em direção aos quatro caras.
Olho um por um, nesse instante e nesta exata seqüência: o cara da esquerda , com uns vinte anos; o da direita, com uns dezoito; o do meio , que ue chuto tivesse uns 16 anos, cara de nerd, cabelo de franjinha de lado, óculos de grau, magro com camisa grande e folgada, me lembro mais desse por causa de sua cara de "quero ver agora, seu trouxa!", e bem atrás deste estava o último cara, se é que aquilo era um ser humano.

O cara era um gigante, musculoso, alto, com um cabelo horrivel, e na mesma hora me lembrei de Andore, se você não sabe quem é Andore ele é um personagem de video-game, gigantão e tipo protetor das putas do jogo Final Fight. Bem, o cara tava olhando pra mim rindo com todos os dentes a mostra e batendo o punho fechado contra a palma da outra mão, exatamente como na figura abaixo, excetuando que ele esta rindo e com o olho focado em mim.

uma fotinha ilustrativa do Andore, e outra aqui.

Okay, okay, uma foto de video game não ajuda muito, então veja essa outra foto que me lembrou perfeitamente o cara.

o cara era forte como o Mickey Rourke (o cara da foto acima), só que tinha o cabelo pior

O carinha mais fraco que tava no meio dos dois, me lembrei dele nesse momento. Eu tinha aprontado alguma com ele, mas não me lembrava do que era,talvez ter tomado a ficha dele no fliperama, ou ter dado um tapa na nuca, ou algo assim. O cara fortão que estava imediatamente atrás dele, descobri mais tarde, era o pai e os dois outros os irmãos.

Nesse momento o guarda já tinha ido embora e me deixado para apanhar, suponho. Olhei novamente para a cara do fortão e seu rosto não me pareceu estranho.
- Perai! Você é professor do Centro de Informática, se fudeu!! - falei na mesma hora.
A sensação nesse momento foi a de como se eu tivesse puxado a carta do baralho que me fizesse vencer a partida de pôquer em que eu estivesse apostando minhas tripas.

O monstrão lá deve ter percebido a merda que seria me bater ou fazer algo comigo, uma vez que eu sabia onde ele trabalhava e poderia arquitetar uma vingança ou mesmo denuncia-lo na universidade. Deu pra ver direitinho na cara dele o "não posso fazer nada" que parece que não foi muito bem absorvido pelos filhos. Ele se virou e foi embora me deixando com os três babacas.

Bem, sinto uma necessidade de explicar algumas esclarecimentos a respeito deste texto, em especial sobre como eu sabia que o fulano era professor de informática federal. A história é a seguinte: terminei o curso de engenharia da computação na Universidade Federal do meu estado, e assisti a muitas aulas no Centro de Informática, e essa foi a minha sorte, por isso reconheci o cara.

O marmanjo foi embora, só que mesmo assim os três irmãos ainda ficaram. Os dois irmãos mais velhos me pegaram, cada um por um braço, e me levaram para a frente de um outro elevador, esse parecia que ia dar no estacionamento.
- O fato do pai de vocês terem ido embora, não significa que que eu ainda não possa denuncia-lo ou atanaza-lo na federal, é isso que vocês querem? - perguntei calmamente com uma cara cínica.
Se entreolharam e decidiram, finalmente, ir embora. Mas claro, eu não poderia deixar as coisas terminarem assim, aprendi com o tio Lobo, que alguém precisa se ferrar na história, então antes de irem embora eu puxei o nerd causador de toda confusão pela gola e disse "você fica", soltei um sorriso tranquilo e gentil para ele.

sorriso maroto - sim, eu sei que "voce" tem acento

Acho que ele conseguiu entender o que eu tinha para falar e, igualmente, respondeu com uma feição de pânico no rosto que dizia para mim: "ME FUDI!".

Hahahahaha!

Bem, dai eu me acordei do sono e me lembrei desse sonho horrível, e ao mesmo tempo maravilhoso, e depois de rir muito decidi compartilhar com vocês. Eu nem sou mal nem nada, mas acho que se eu fosse, eu seria ruim mesmo, valendo! =p

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

e num chat 2

Gtalk com Dani
me: tenho uma novidade pra te contar, hehehehe
mas como eu sei que mulheres são curiosas só te conto quando tu tiver aqui
Daniele: tas namorando?
me: FUUUUUUUUUUUUUUUU!!!
Agora jogo no time dos compromissados.

em breve: relato do show mais doido do mundo ocorrido em 2002.

sábado, 28 de novembro de 2009

plágio do filme do Kurosawa

Eu já tinha curtido o Per un pugno di dollari (por um punhado de dolares) antes de assistir ao lendário filme Yojimbo, e ao assitir este ultimo percebi que o mesmo se parecia muito com o primeiro filme da trilogia do homem sem nome. Fiquei na dúvida se era plágio ou homenagem, mas o artigo destinado ao filme Per un pugno di dollars na Wikipedia me tirou a dúvida novamente. Na seção Influências.
O filme foi inspirado em Yojimbo, comédia satírica de Akira Kurosawa (escrito por Kurosawa e Ryuzo Kikushima). Acredita-se que este, por sua vez, seria baseado no romance Red Harvest, de Dashiell Hammett, apesar de não ter sido creditado.
Kurosawa insistiu em receber compensações, escrevendo a Leone: "é um ótimo filme, mas é o meu filme". Após certo tempo, os produtores de Kurosawa conseguiram obter uma compensação de cem mil dólares, mais 15% da fatura do filme na Ásia. Mais tarde, Kurosawa reconhece o filme como um remake digno de Yojimbo.
Abaixo os herois das duas versões.

Toshirō Mifune é o samurai em Yojimbo (1961)

e Clint Eastwood é o pistoleiro de Per un pugno di dollari (1964)

Dois ótimos filmes, e assistindo da para ver claramente que o filme western é uma cópia mesmo do filme de Kurosawa, mais uma coisa para comentar com os amigos na fila do cinema.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

a arte de (não) beber álcool

Antes de tudo, gostaria de dizer que este não é um texto Straight Edge. Acho até bonita a ideia e a atitude, mas, também, acho muito extremo o não beber NADA e o não usar NADA. Li, em algum lugar, uma vez, algo sobre o "caminho do meio" do budismo, algo como não ser extremo em nada, ser equilibrado, e, trazendo para o ponto de vista da bebida, seria algo como não ser um alcoólatra e nem ser um Straight Edge. Então.

Alguém se lembra de como saíamos e nos divertíamos várias vezes sem tocar os lábios em uma bebida alcoólica? Não, né? Hoje, tudo é motivo para beber: sexta-feira é igual a beber; assistir ao jogo de futebol é igual a beber; ir ao show é motivo de beber... Beber é igual a beber! É, eu não estou bêbado. Deixa eu me explicar: a coisa está tão trash que até o verbo beber já esta associado ao ato de ingerir bebidas alcoólicas, duvida? Me diz, então, o que você pensa se alguém chega e pergunta: "e ai vamos beber?", garanto que você não vai achar que a pessoa está te chamando para beber um suco.

Nascer, crescer, beber, se reproduzir e morrer. É assim que se divide o novo ciclo da vida, e, às vezes, com o "beber" citado anteriormente deslocado para a esquerda e continuamente até a morte. Sabe-se que, hoje, não é preciso ter crescido para beber. Lembra a piada do espanta?
Um homem, espantado ao ver um menino de 13 anos fumando, pergunta:
- Menino, faz quanto tempo que você fuma?
- Desde a minha primeira relação sexual - responde o menino.
O homem, abismado com a resposta, pergunta novamente.
- E quando foi isso?
- Não me lembro, eu estava muito doido - responde o guri.
Certo, qual é a moral? Você já é meio que programado para beber, e isso bem antes de ser bombardeado por propagandas e ser influenciado pelos seus amigos. Influência, ela começa bem mais cedo em alguns casos. Aposto que alguém já deve ter visto algum pai dando cerveja ao filho e se enchendo de orgulho, o impacto físico no guri será mínimo, mas o psicológico será desastroso, pois a criança vai associar aquilo como algo que deve ser feito, ou seja, nasce mais um cachaceiro.

Mas, para nós, com já alguma opção de escolha, a bebida depois de fazer nossa barriga crescer e alterar o estado de consciência ainda traz a ressaca física, e o pior é que já sabemos disso e, ainda assim, bebemos. Preste atenção: VOCÊ JÁ SABE QUE VAI PASSAR MAL NO OUTRO DIA E, MESMO ASSIM, BEBE. Provo: quando se tem um feriado, por exemplo, bebe-se na véspera, para poder passar o outro dia inteirinho passando mal, né não? "Amanhã é feriado, bora beber". E é para beber de verdade, ir caindo para casa, pois "beber e não ficar bêbado é jogar dinheiro fora". Ficar sem beber num dia de descanso está fora de cogitação; ninguém vai parar ou diminuir a quantidade de bebida ingerida. Quem vai deixar de aproveitar o fim de semana ou o feriadão?

ressaca, um problema antigo

Ressaca física já é ruim, mas a ressaca moral é pior. Enquanto a ressaca física passa em um dia de descanso associada a um soro com glicose, a ressaca moral fica, e pode ser usada contra você durante toda sua vida. Exemplos existem aos montes: a mulher feia que você pegou na balada, a discussão besta que você teve com seu amigo, a dança ridícula que você fez na festa e por ai vai.

Mas, enfim, este que escreve não está defendendo a abstinência alcoólica, e, sim, o consumo moderado. Lembra das propagandas de cerveja? Quando diz "BEBA COM MODERAÇÃO", então... Isso evita um monte de rê-bordosa. Beber moderadamente tem suas vantagens, três para citar: deixa o tímido mais confiante, deixa o sexo mais prolongado e deixa a pessoa mais extrovertida, mas, com o exagero, o tímido vira um tarado, o garanhão vira um brocha e o extrovertido vira um chato. Se for para beber, ache o ponto que não te faça mal e que te deixe à vontade, não seja um chato de galocha e não foda com seu corpo, simples eficiente e funcional.

E nunca se esqueça: se for dirigir não beba e se for beber me chame.

NOTAS: -------
Eu comecei o texto bem empolgado, depois eu esfriei, e terminei hoje, estive muito ocupado nos ultimos dias com o mestrado, festas e shows, mas escreverei mais. =p

sábado, 24 de outubro de 2009

relato de um escravo

Até que enfim parei um pouco, peso da porra isso, parece que a cada dia um quilo pesa mais, deve ser da idade, coisa de velho como dor nas costas, dor nas pernas, visão falha e cicatrizes. É, cicatrizes. Tenho algumas cicatrizes que tem quase minha idade, é verdade mesmo, talvez não dê mais para ver, mas é por culpa das novas cicatrizes que cobriram as mais antigas.

Levar chicotada nas costas dói, já estou numa fase que só de ouvir a ponta do chicote cortando o ar e estalando já sinto a dor, antes mesmo da minha pele se rasgar e ficar inchada, não preciso dizer que é uma sensação bastante desagradável. E eu não sei o que faço de errado, eu carrego peso excessivo todo dia e o dia todo, e o peste ainda me bate, queria ver se fosse ele aqui no meu lugar, na corrida pra cá, na chicotada pra lá, aguentando grito, puxão o escambau.

Estou velho e cansado e ninguém liga pra isso, estou sozinho, não entendo direito o que me falam, mas mesmo assim me esforço, dou o melhor de mim. Se bem que é difícil ter forças quando se trabalha sem comer nem beber água o suficiente para o trabalho, e sem contar na atenção que tenho que prestar para não morrer. -por falar em água, deixa eu aproveitar essa pequena pausa para matar minha sede nessa vala de água barrenta... hmmm! só está um pouco quente e suja, mas beleza, vamos nessa-.

Cara, muitos colegas meus morreram quando uma coisa veloz -sei lá que porra era aquilo- os atingiram em cheio. O pobre do Sandoval, por exemplo, sofreu por horas com as pernas quebradas e vísceras semi expostas até que alguém chegou para socorrer. Bem, "socorrer" é força de expressão já que o cara não foi para tratar dos ferimentos e sim para mata-lo com uma paulada na cabeça. No fim das contas acho que foi melhor assim, pelo menos ele esta descansando agora. Penso que a pessoa que matou o Sandoval sentiu algo perto de empatia, talvez compaixão. É, acho que é isso.

Destino pior teve um gringo lá pelas bandas da... acho que foi Austrália, fiquei sabendo que em pleno dia de nossa comemoração ele levou duas flechadas no tórax, e não morreu na hora. Pior, o "Hobin-Wood" gravando tudo pelo celular, e achando pouco, foi lá e tentou derruba-lo com alguns chutes, não conseguiu. O pobre com DUAS FLECHAS NO TÓRAX aguentou enquanto pode, não foi muito, mas tenho orgulho dele: foi duro na queda. Fico pensando onde esse mundo vai parar.

-EITA POOORRA!! Desculpe, acabei de levar uma chicotada- Por que esse filho da puta não para de me chicotear!? Caralho, sabe o que é o pior nisso tudo? É ver esse monte de gente olhando com cara feia para o filho da puta que me chicoteia e não faz nada, cambada de desgraçados, se eles olham com cara feia é porque sabem que tá errado, talvez muito mais do que esse infeliz que me explora, é isso mesmo, tem tanta culpa quanto.

-AAAAAAAAAAAI!!! POOORRA!!!! Essa doeu de verdade- Bicho tô indo nessa, é melhor eu me concentrar aqui no trampo, quem sabe tenho direito a um resto de feira hoje a noite? E já esta escurecendo, se bem que acho que o rango vai sair atrasado, o chefe tá mal-humorado e vi que só levamos um pouco mais da metade dos tijolos que tem para carregar. Já vi que vai sobrar para mim.

A vida não está fácil para ninguém, principalmente para mim. Gostaria muito de ter um pouco de liberdade, de poder correr um pouco, de não viver num cubículo mal iluminado, imundo e úmido, ter um pouco de comida fresca, ter outros parecidos comigo para fazer companhia, enfim, ter alguém que goste de mim. Seria lindo... que vontade de dormir! E ainda tenho que levar essa porra toda aqui. Mas bem, sejamos otimistas, quem sabe eu consigo um banho amanhã, não ter essas moscas em cima das feridas e me livrar de alguns carrapatos seria ótimo. Com essa vontade de dormir me lembrei do lindo sonho que tive ontem:

no dia que nos derem o devido valor

Tenho que ir agora, a gente se vê por ai numa rua dessas, beleza?
Forte abraço do equino que trabalha na mercearia da esquina da sua rua.

-
"Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete crueldade contra um animal, então somos companheiros."

Visitem: http://chicotenuncamais.blogspot.com/

NOTA DO AUTOR:

Este texto é o rascunho do artigo que sairá na zine CABRA da PESTE, portanto desconsiderem os erros, ok? Ou melhor, se encontrarem erros de ortografia, pontuação me avisem pelo comentário. Não tenho revisor oficial. =)